Vídeo-aula 13: A construção do fracasso escolar: os mecanismos do não aprender e os desafios do professor - Silvia

Rejeitando as explicações reducionistas sobre a não aprendizagem, a aula tem como objetivo discutir a produção do fracasso a partir das relações entre o aluno e o mundo, o mundo e a escola, a escola e o aluno. Nesse contexto complexo, é possível vislumbrar tanto a lógica do não aprender como o risco de aprender.





Por que os alunos não aprendem?
A maior parte dos argumentos caem em explicações reducionistas que ou culpam o aluno e sua família ou culpam o meio, a sociedade ou criticam acirradamente a escola. Tudo isso funciona como uma busca por um culpado que não contribui para que compreendamos o fracasso escola em sua complexidade.
Para a vídeo-aula, a proposta é pensar as dimensões do não-aprender, situando as interfaces do processo: aluno-mundo (qual é a razão que o aluno tem para aprender?), mundo-escola ( o que a escola ensina e o que ela deveria ensinar?) e escola-aluno (como a escola ensina? Se o professor ensina, por que o aluno não aprende?).
Na relação entre o aluno e o mundo: Qual é a razão para aprender? No nosso mundo, por que aprender?
Existe uma oposição entre os valores da nossa sociedade (sociedade do ter, do lucro, capitalista) e do outro lado o conhecimento: qual a razão para aprender se o que vale mesmo é o dinheiro, o ter? Todos esses valores perpassam a mentalidade dos alunos. Então, o primeiro desafio do professor no enfrentamento do fracasso escola é resgatar o valor do conhecimento como um bem necessário, enquanto um bem prazeroso, enquanto um bem que merece ser adquirido.
O segundo ponto da discussão é a relação entre mundo de hoje e escola: O que a escola ensina?
O que temos hoje é uma sociedade desenvolvida, tecnológica e em oposição a ela uma escola que parou no tempo que não dialoga com o mundo atual. Há uma tensão mundo grabnde entre um mundo que não valoriza a escola e uma escola que não tem a mesma linguagem desse mundo. A escola é diferente da vida e a aprendizagem é apresentada como algo tão fechado em si mesmo que não pressupõe o uso e a possibilidade de aplicação do conhecimento na sociedade. Trata-se de uma tendência ocidental e de uma escola que se desaparelhou ao longo do tempo e que está fora de sintonia com o mundo.
Muito do que é ensinado é sem sentido para o aluno: o aluno não reconhece aquele ensinamento como sendo algo do seu mundo. É necessário buscar a sintonia: o conteúdo ensinado tem que ser instrumento para compreensão do presente.
Na relação entre a escola e o aluno, devemos refletir: “como ensinamos” e “se o professor ensina, por que o aluno não aprende?”. Nesse caso é necessário colocar em discussão a metodologia usada na escola, muitas vezes trata-se de uma metodologia que não entra em sintonia com o processo cognitivo do aluno, com os interesses do aluno. Certas práticas mecânicas propõem-se a ensinar sem despertar o gosto pelo que é ensinado, o ensino torna-se enfadonho, sem sentido, cansativo.
Também podemos identificar uma tensão muito grande entre professor e aluno: o professor, depois de ensinar várias vezes, ele se frustra com o fato de perceber que o aluno não aprendeu e o aluno, quando se depara com um problema, tenta solucioná-lo com seus recursos próprios e não com os recursos que o professor tenta transmitir. Falta diálogo e negociação por um ensino significativo na escola.
Também existe uma desconsideração da diversidade cultural na escola: práticas discriminatórias que desconsideram a diversidade cultural na escola.
O aluno, ao ingressar na escola, é plural (diferentes raças, diferentes origens, diferentes saberes...), mas a escola exerce uma pressão para que esse aluno se equalize, para que todos alunos tenham o mesmo comportamento e desempenho, quase que anulando as suas origens, os seus saberes e a sua diversidade.
Em resumo, A LÓGICA DO NÃO APRENDER: a dimensão cultural (para que aprender? Como lidar com as dificuldades e consequências do aprender?); dimensão social (relações estabelecidas na escola: o desafio é lidar de uma forma mais dialógica); dimensão pedagógica (é necessário ajustar a metodologia de ensino ao processo cognitivo do aluno); dimensão política (valorização do saber, da escola e dos professores.... fica o desafio de lutarmos por uma escola que seja uma instituição de valor e reconhecida por toda sociedade e valorizada pelos alunos e por toda a comunidade escolar).
Além do perigo do não aprender, há também o risco de aprender.... mas não usar, não gostar, não ser crítico... mesmo no caso dos alunos que tem sucesso, não há também uma dimensão de fracasso?



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