Rejeitando as explicações reducionistas sobre a não aprendizagem, a aula tem como objetivo discutir a produção do fracasso a partir das relações entre o aluno e o mundo, o mundo e a escola, a escola e o aluno. Nesse contexto complexo, é possível vislumbrar tanto a lógica do não aprender como o risco de aprender.
Por que os alunos não
aprendem?
A maior parte dos
argumentos caem em explicações reducionistas que ou culpam o aluno
e sua família ou culpam o meio, a sociedade ou criticam
acirradamente a escola. Tudo isso funciona como uma busca por um
culpado que não contribui para que compreendamos o fracasso escola
em sua complexidade.
Para a vídeo-aula, a
proposta é pensar as dimensões do não-aprender, situando as
interfaces do processo: aluno-mundo (qual é a razão que o aluno tem
para aprender?), mundo-escola ( o que a escola ensina e o que ela
deveria ensinar?) e escola-aluno (como a escola ensina? Se o
professor ensina, por que o aluno não aprende?).
Na relação entre o
aluno e o mundo: Qual é a razão para aprender? No nosso mundo, por
que aprender?
Existe uma oposição
entre os valores da nossa sociedade (sociedade do ter, do lucro,
capitalista) e do outro lado o conhecimento: qual a razão para
aprender se o que vale mesmo é o dinheiro, o ter? Todos esses
valores perpassam a mentalidade dos alunos. Então, o primeiro
desafio do professor no enfrentamento do fracasso escola é resgatar
o valor do conhecimento como um bem necessário, enquanto um bem
prazeroso, enquanto um bem que merece ser adquirido.
O segundo ponto da
discussão é a relação entre mundo de hoje e escola: O que a
escola ensina?
O que temos hoje é uma
sociedade desenvolvida, tecnológica e em oposição a ela uma escola
que parou no tempo que não dialoga com o mundo atual. Há uma tensão
mundo grabnde entre um mundo que não valoriza a escola e uma escola
que não tem a mesma linguagem desse mundo. A escola é diferente da
vida e a aprendizagem é apresentada como algo tão fechado em si
mesmo que não pressupõe o uso e a possibilidade de aplicação do
conhecimento na sociedade. Trata-se de uma tendência ocidental e de
uma escola que se desaparelhou ao longo do tempo e que está fora de
sintonia com o mundo.
Muito do que é
ensinado é sem sentido para o aluno: o aluno não reconhece aquele
ensinamento como sendo algo do seu mundo. É necessário buscar a
sintonia: o conteúdo ensinado tem que ser instrumento para
compreensão do presente.
Na relação entre a
escola e o aluno, devemos refletir: “como ensinamos” e “se o
professor ensina, por que o aluno não aprende?”. Nesse caso é
necessário colocar em discussão a metodologia usada na escola,
muitas vezes trata-se de uma metodologia que não entra em sintonia
com o processo cognitivo do aluno, com os interesses do aluno. Certas
práticas mecânicas propõem-se a ensinar sem despertar o gosto pelo
que é ensinado, o ensino torna-se enfadonho, sem sentido, cansativo.
Também podemos
identificar uma tensão muito grande entre professor e aluno: o
professor, depois de ensinar várias vezes, ele se frustra com o fato
de perceber que o aluno não aprendeu e o aluno, quando se depara com
um problema, tenta solucioná-lo com seus recursos próprios e não
com os recursos que o professor tenta transmitir. Falta diálogo e
negociação por um ensino significativo na escola.
Também existe uma
desconsideração da diversidade cultural na escola: práticas
discriminatórias que desconsideram a diversidade cultural na escola.
O aluno, ao ingressar
na escola, é plural (diferentes raças, diferentes origens,
diferentes saberes...), mas a escola exerce uma pressão para que
esse aluno se equalize, para que todos alunos tenham o mesmo
comportamento e desempenho, quase que anulando as suas origens, os
seus saberes e a sua diversidade.
Em resumo, A LÓGICA DO
NÃO APRENDER: a dimensão cultural (para que aprender? Como lidar
com as dificuldades e consequências do aprender?); dimensão social
(relações estabelecidas na escola: o desafio é lidar de uma forma
mais dialógica); dimensão pedagógica (é necessário ajustar a
metodologia de ensino ao processo cognitivo do aluno); dimensão
política (valorização do saber, da escola e dos professores....
fica o desafio de lutarmos por uma escola que seja uma instituição
de valor e reconhecida por toda sociedade e valorizada pelos alunos e
por toda a comunidade escolar).
Além do perigo do não
aprender, há também o risco de aprender.... mas não usar, não
gostar, não ser crítico... mesmo no caso dos alunos que tem
sucesso, não há também uma dimensão de fracasso?
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