Com base nos referenciais teóricos de Piaget e Vygotsky, a aula pretende colocar em evidência a dimensão sociocultural da aprendizagem e ainda explicar a dinâmica dos processos cognitivos.
Mitos sobre a
aprendizagem:
Primeiro mito: A
aprendizagem é consequência do ensino.
Segundo mito: A
aprendizagem se faz em etapas que podem ser controladas pelo ensino
linear, cumulativo, fragmentado e inflexível.
Terceiro mito: Aprender
é diferente de usar conhecimento.
COMO SE DÁ A
CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO?
A aprendizagem é
tributária do contexto sociocultural do sujeito: o modo como se
aprende, a motivação e os mecanismos para se aprender, o uso que se
faz dessa aprendizagem... tudo isso depende de diferentes realidades,
de diferentes contextos socioculturais, por isso não é possível
falar em aprendizagem escolar independente da origem dos sujeitos e
do contexto sociocultural.
Dinâmica do processo e
as várias instâncias e dimensões da construção do conhecimento:
O sujeito de
aprendizagem está sempre na relação com um outro e é nessa
relação que ele começa a compreender o mundo, a viver as várias
experiências do mundo. E essa relação do sujeito com tantos outros
se dá em um contexto sociocultural. Para além desse universo
sociocultura, há o universo da ciência e de um saber mais
formalizado que nem sempre é acessível pela vida cotidiana e que
deve ser levado aos alunos.
O papel da escola é
atravessar essas várias esferas e estabelecer relações que possam
transitar nas relações interpessoais, passando pelo universo
sociocultural e chegando ao saber mais formalizado e científico.
Isso acontece por três
dimensões: dimensão cognitiva (saber fazer), dimensão afetiva
(querer fazer), dimensão funcional (poder fazer). É necessário
haver uma sintonia entre essas possibilidades para que o sujeito
possa, queira e saiba lidar com o conhecimento. É necessário que
haja o equilíbrio para que a aprendizagem aconteça.
Qual o papel do
professor? Como o professor vai fazer isso?
Pela lógica de
Vygotsky, por três ações
fundamentais: interação (encontro com as pessoas e com os objetos
de conhecimento), a mediação (possibilidade de ter acesso a esse
conhecimento) e a linguagem (instrumento de negociação de ideias,
troca de informações, discussão de hipóteses etc.).
Como o aluno aprende?
O ser humano, no seu
desejo de se adaptar no mundo, dentro de uma postura ativa em face do
mundo, espontaneamente busca o conhecimento e a aprendizagem.
O aluno já passou por
várias experiências desmotivadoras, por isso, é necessário
resgatar a curiosidade natural do ser humano nele.
Segundo Piaget, a
aprendizagem é uma construção pessoal a partir das experiências
vividas sob a forma de um processo complexo e multifacetado: a imagem
do conhecimento como uma tecitura, uma rede em que as ideias vãos e
relacionando, muitos pontos vão se encontrando e ganhando novos
significados, ou seja, uma construção única para cada sujeito
cognoscente. Não há caminhos fixos e rígidos para o processo de
conhecimento.
Como o sujeito lida com
a informação? O que faz com que ele aprenda ou não?
Os sujeitos lidam com
as informações de diferentes formas. Há situações em que a
informação é assimilada pois há estrutura cognitiva, ou seja, a
informação encaixa-se e é assimilada. Há situações em que a
informação é dada mas o sujeito não tem condições de assimilar.
Há também informação que são assimiladas de forma distorcida
(erro construtivo).
O sujeito piagetiano é
ativo e está sempre em busca de informações. Quanto melhores forem
suas estruturas, mais eficaz e facilmente acontecerão as
assimilações.
Tudo começa com uma
situação problema, a partir da qual o indivíduo irá lançar mão
de suas concepções e saberes que serão usados para levantar
hipóteses para resolver o problemas, antecipando resultados e
fazendo testes de verificação. Pode não haver um resultado
positivo, o que causa o despontamento (surpresa), levando ao
desequilíbrio cognitivo (toda aprendizagem tem uma dose de
sofrimento, pois o sujeito é obrigado a abrir mão de suas
concepções e hipóteses para conhecer outros pontos de vista). E
assim ele evolui: a ideia é que quanto mais esse círculo se
repetir, mais o sujeito vai pensar e repensar e criar outras
hipóteses e, nesse processo, vai aprender sempre mais.
Pela lógica, se o
conhecimento é ativo e se dá pela problematização e
desestabilização das hipóteses, o ensino deveria funcionar em uma
lógica de ação-reflexão em constante repetição. A aprendizagem
é uma atividade espontânea mas que pode ser otimizada pela
intervenção docente que cria condições para experimentação e
elaboração de hipóteses.
O papel do professor:
propor problemas;
desestabilizar
concepções prévias;
favorecer interação
para a busca de soluções;
favorecer situações
de observação, experimentação e pesquisa;
favorecer o debate, a
reflexão, a criação, a consciência, o saber responsável, o
regsitro e a sistematização do conhecimento;
propor novos problemas.
Em um ciclo sem fim no
qual se dá a verdadeira construção do conhecimento.
A aprendizagem é uma
engrenagem que contempla pelo menos três aspectos: o aprender, o
tornar-se usuário desse conhecimento no contexto da vida e
conquistar o status de cidadão crítico e socialmente ativo.