Vídeo-aula 26: Professor autor - Gabriel Perissé



Só faz sentido falar em autonomia docente se elaboramos o conceito de autoria. O professor como autor de suas ideias, no contexto da sociedade midiática e em face dos atuais desafios da educação brasileira.


A terceira dimensão da formação docente: autoria.
Primeiro lemos, depois refletimos e em seguida criamos.
A experiência da leitura pode questionar, ampliar, revolucionar, aperfeiçoar nossa visão de mundo. E nos fazer criar um sistema pessoal de convicções.
Quando criamos um sistema pessoal de convicções precisamos nos expressar (como autores).
Um profissional da educação que não é verdadeiramente autor de suas ações não pode ser propiciador de autonomia.
A autoria está ligada ao exercício da liberdade.
A autonomia docente não se conquista sem um estilo de ensinar. Também é uma conquista artística.
Os professores deveriam ser líderes sociais, mas isso seria uma conquista dos próprios professores.
Uma questão prática: quando se fala em professor autor, também pensa-se no professor que atua na internet.
Cabe ao professor educar a web. Devemos viver nossa lição de casa em todos os ambientes.




Vídeo-aula 25: Professor pensador - Gabriel Perissé

A leitura reflexiva conduz ao prazer de pensar. Um pensar voltado para a realidade, em diálogo com o extramental. Na prática docente, o pensamento livre e criativo é essencial, ou se recai no instrucionismo limitante.



A importância do pensamento na formação docente: o professor pensador.
O exercício da curiosidade, da reflexão e do diálogo do extramental nos leva ao momento das decisões. Não é normal perder a curiosidade, ser indiferente.




O exercício da curiosidade e da reflexão faz parte do estar consciente da importância da vida.
A experiência da leitura pode questionar, ampliar, revolucionar, aperfeiçoar nossa visão de mundo. E nos fazer criar um sistema pessoal de convicções.
Para opinar, é necessário antes ter construído um sistema pessoal de convicções (ideia buriladas, conceitos aprofundados) que fortalecem nossa maneira de ver o mundo e de nos comportarmos no mundo. Esse é um dos papeis da educação: transformar as pessoas em seres ponderados.
Clarice Lispector

(Ucrânia, 1925 - Brasil, 1977)
O primeiro aluno da classe
Seu segredo é um caracol. O cabelo é bem cortado, os olhos são delicados e atentos. Sua cortês carne de nove anos ainda é transparente. É de uma polidez inata: pega nas coisas sem quebrá-las. Empresta livros para os colegas, ensina a quem lhe pede, não se impacienta com a régua e o esquadro, quando há tanto aluno desvarrado. Seu segredo é um caracol. Do qual não esquece um instante. Seu segredo é um caracol que o sustenta. Ele o cria numa caixa de sapato com gentileza e cuidado. Com gentileza diariamente finca-lhe agulha e cordão. Com cuidado adia-Ihe atentamente a morte. Seu segredo é um caracol criado com insônia e precisão.
Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/3377770/Lispector-Clarice-O-primeiro-aluno-da-classe Acesso em: 02 jul. 2012.

A análise feita é que não seria possível ser bom o tempo todo, haveria uma camada de perversidade.

Um pequeno texto, ampliado pela reflexão, deixa de ser apenas um texto e passa a ser uma alavanca para novas conclusões e para a construção de um sistema pessoal de convicções. Ler é assimilar. Leio não apenas para decifrar, mas para compreender.

Infelizmente, atualmente, há muitas tarefas burocráticas e inúteis transformadas em lição de casa. Se a lição de casa é existencialmente atraente auxilia o aluno a encontrar suas motivações. Trata-se de um encontro de inciativas e de criatividade.

A tarefa do educador é surpreender, trazer para a sala de aula ocasiões de aprendizado de surpresa.

O professor leitor apreende novas ideias, torna qualquer tema mais interessante. Quando leva essa realidade surpreendente para sala de aula num clima de aposta na inteligência do aluno, ele também se transforma num texto que vai fazer o aluno pensar.

Vídeo-aula 22: O professor leitor - Gabriel Perissé



Ler é atividade fundamental na formação docente. Não só pela ampliação de vocabulário e repertório. O exercício da leitura leva à prática da interpretação, da crítica e da autotranscendência.

Toda leitura é um aprendizado a distância: uma forma de aproximação com diversas realidades.
Todo aprendizado é também uma leitura: a medida que vamos aprendendo também estamos exercitando nossa capacidade de interpretação, de ler o mundo.
Quando olhamos para o mundo é como se estivéssemos lendo um texto.
O conceito de leitura não é apenas olhar símbolos grafados no papel mas abrir-se para a realidade.
O professor que não é leitor não pode ser uma abertura de horizonte para os alunos.
Ao ler um livro nos libertamos de preconceitos, limitações etc.

A leitura no Brasil:
O brasileiro lê, em média, 4,7 livros por ano.
O Brasil tem uma biblioteca pública para cada 33 mil habitantes.
Quase 70% das escolas públicas nem sequer têm uma biblioteca.

Os professores em geral não têm o hábito da leitura.
Como pode um professor, que não está habituado a ler, convencer um aluno de que ler é algo fascinante e necessário? Resta a opção de obrigar o aluno a ler...
Não basta estar alfabetizado. É necessário pensar em uma formação literária.
Na leitura generosa das entrelinhas podemos capotar o sentido não evidente das realidades e os professores precisam ser leitores das entrelinhas.
A experiência da leitura pode questionar, ampliar, revolucionar, aperfeiçoar nossa visão de mundo. E nos fazer criar um sistema pessoal de convicções.
O professor não é um tarefeiro, um instrutor. O professor deve ser um mestre, alguém que entusiasme, inspire nos alunos a vontade de conhecer, aprender.
A experiência da leitura pode nos propiciar essa ampliação da visão de mundo: que eu como professor não sou apenas transmissor de ideias, um funcionário que cumpre a tarefa.
Uma leitura viva nos torna pessoas com assuntos.

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Vídeo-aula superficial, redundante... baseada em citações diversas e desconexas e que não refletem concreta e realmente a realidade das salas de aula brasileiras. A leitura tem grande importância, principalmente na escola, o professor realmente não é um sujeito leitor, mas a vídeo-aula não avança além dessa constatação.
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A Arte de Ler
O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.
Mário Quintana

Vídeo-aula 21: A complexidade da constituição docente - Silvia Colello

A aula procura delinear a complexidade da constituição docente, colocando em evidência os aspectos intrínsecos e extrínsecos do “ser professor”, as condições de trabalho, os fatores de satisfação e insatisfação. Entre a realidade profissional e as perspectivas de uma ação transformadora, é possível vislumbrar limites e possibilidades da prática pedagógica.







Que professor é esse? Qual sua realidade? Quais seus desafios? Como se coloca em face de todos desafios, da dificuldade de ser professor?

Até a década de 70, o fracasso escolar era culpa do aluno. O apelo caia sobre o professor: investir nas competências dos professores para reverter as condições dos estudantes.



Nos anos 80, estudos diferenciados mudaram essa realidade e desmistificaram mitos diversos. Tudo que era desculpa para culpabilizar os alunos caiu por terra.
Por outro lado, há uma emergência dos estudos psicogenéticos (alunos: postura ativa diante do conhecimento). E muitos estudos sobre o cotidiano escolar, mostrando como a própria escola contribui para o fracasso escolar.
Muda a compreensão do problema e do papel do professor, mas ainda permanece a lógica de que é o professor que tem que resolver tudo.
Mais recentemente, uma série de pesquisas verificam melhor a realidade do professor e mostram a constituição do professor como algo complexo.
Fatores extrínsecos: o curso que ele fez, a escola em que ele trabalha, o quanto ele ganha e todo o processo de profissionalização (formação inicial e continuada).
Fatores intrínsecos: como o professor viveu toda a sua formação e como ele foi se assumindo enquanto ser professor (profissionalidade: a ideia de que ao longo do processo de formação a profissão acaba fazendo parte do seu modo de ser, de ler o mundo).
Os saberes: o professor tem que lidar com conhecimentos formais (pedagógicos + de conteúdo / como + o quê) e concepções (como ele entende a concepção de aluno, de papel de professor, de aprendizagem...). Saberes aprendidos e saberes vividos.
Tudo isso se dá a partir de condições objetivas de trabalho, mas também de condições subjetivas (jogo de satisfações e insatisfações).
Trabalho transformador: além do conhecimento e da formação, também o conhecer e o viver o dia a dia da escola, refletir sobre tudo isso e o lutar por condições melhores de trabalho.
Perspectivas teóricas do trabalho docente:
Disponibilidade pessoal para renovar o trabalho.
A luta pela valorização do ensino e a constituição de um trabalho coletivo.
Afirmar-se como sujeito do conhecimento.
Colocar-se como sujeito que define caminhos e cria alternativas.

E na prática?
Desafios complexos...
A difícil construção de um ensino de qualidade e a desvalorização do ensino e o desinteresse dos jovens pelo magistério. A carreira docente não é mais atrativa.
Dimensão teórica do trabalho do professor: a produção teórica tem que alcançar o professor para refletir em sua prática pedagógica e ser alvo de novas buscas teóricas.
Dimensão pessoal do trabalho do professor: a angústia e a decepção têm muitas origens. Uma possibilidade é a carreira do docente que se esgota ao longo da trajetória profissional e outra, a carreira comprometida porque já nasceu na periferia do sonho (queria ser.... mas acabou tornando-se professor).
A profissão docente está sob risco. Há perspectivas? Existe saída?









Vídeo-aula 18: A escola e as instituições culturais


Na educação escolar em geral cumpre-se os requisitos da formação cultural contemporânea ao se fazer interface com as instituições culturais, assim o aluno relaciona a arte que faz e aprende na escola àquela que ocorre em diferentes práticas sociais.



A parceria entre escola e instituição cultural:
As instituições culturais reúnem objetos de arte interessantes às aprendizagens escolares.
Museus e casas de cultura podem ser visitados física e virtualmente.
Os objetos de arte expressam conteúdos de diversas áreas do conhecimento escolar e favorecem seu ensino de modo vivo e instigante tanto da arte universal como das culturas importantes de cada região.
O estudo de obras da cultura brasileira deve fazer parte do currículo.


Vídeo-aula 17: O professor e a cidade educadora

A arte de qualidade artística presente nas ruas pode ser estudada de modo sistemático no currículo das escolas. Isso efetiva o diálogo entre a vida cotidiana dos alunos e sua vida escolar, além disto, aperfeiçoa e educa o olhar para a cidade




A cidade educadora como fonte de alimentação de conteúdos para aulas.
Nós passamos pela cidade e nem sempre sabemos decodificar o que vemos.
A paisagem é datada e suas visualidades formam nosso olhar.
A paisagem da cidade contemporânea forma o olhar. O antigo e o novo coexistem nas cidades.
O professor pode utilizar os equipamentos e obras de arte presentes do espaço público com o objetivo de expandir o universo cultural dos estudantes.
Quando se faz uma visita com os alunos, é importante antes prepará-los (tempo anterior da atividade – adiantar o conteúdo e levantamento de conhecimentos prévios). Durante a visita, é importante informá-los, mas também é importante deixá-lo desfrutar da visita. Depois da visita, é importante retomar os conteúdos vistos e dar continuidade ao trabalho com outras tarefas visando sempre as aprendizagens que se quer ordenar.
No planejamento do projeto o professor deve considerar:
o material de pesquisa levantado e as ações que pode desenvolver;
os conteúdos adequados ao grupo de alunos;
o interesse e o envolvimento com a aprendizagem que o projeto despertará nos alunos.

É importante também levantar com os estudantes pontos que eles gostariam de conhecer.

O professor planeja ações e visitas para o aluno:
conhecer os espaços públicos com olhos para ver e saber interpretar o traçado urbano, a arquitetura, os monumentos e as obras de arte.
O aluno aprende a ver o entorno público e o frequenta informado sobre seus conteúdos que não são revelados pela simples observação.
Desde a educação infantil pode-se estudar o espaço público com o objetivo de formação cultural.
Muitos pais, avós, moradores e parentes são fontes vivas de informações sobre o lugar onde se vive e a história da cidade ou região.
Os alunos podem participar da pesquisa trazendo fotos antigas de seus familiares no espaço da cidade de origem e compará-las com apoio do professor às paisagens atuais.
Ensinar sobre a arte presente na rua é valorizar a arte no cotidiano das pessoas e no espaço público.

Vídeo-aula 14: Processos de aprendizagem e implicações para a prática docente - Silvia

Com base nos referenciais teóricos de Piaget e Vygotsky, a aula pretende colocar em evidência a dimensão sociocultural da aprendizagem e ainda explicar a dinâmica dos processos cognitivos.



Mitos sobre a aprendizagem:
Primeiro mito: A aprendizagem é consequência do ensino.
Segundo mito: A aprendizagem se faz em etapas que podem ser controladas pelo ensino linear, cumulativo, fragmentado e inflexível.
Terceiro mito: Aprender é diferente de usar conhecimento.

COMO SE DÁ A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO?
A aprendizagem é tributária do contexto sociocultural do sujeito: o modo como se aprende, a motivação e os mecanismos para se aprender, o uso que se faz dessa aprendizagem... tudo isso depende de diferentes realidades, de diferentes contextos socioculturais, por isso não é possível falar em aprendizagem escolar independente da origem dos sujeitos e do contexto sociocultural.
Dinâmica do processo e as várias instâncias e dimensões da construção do conhecimento:
O sujeito de aprendizagem está sempre na relação com um outro e é nessa relação que ele começa a compreender o mundo, a viver as várias experiências do mundo. E essa relação do sujeito com tantos outros se dá em um contexto sociocultural. Para além desse universo sociocultura, há o universo da ciência e de um saber mais formalizado que nem sempre é acessível pela vida cotidiana e que deve ser levado aos alunos.
O papel da escola é atravessar essas várias esferas e estabelecer relações que possam transitar nas relações interpessoais, passando pelo universo sociocultural e chegando ao saber mais formalizado e científico.
Isso acontece por três dimensões: dimensão cognitiva (saber fazer), dimensão afetiva (querer fazer), dimensão funcional (poder fazer). É necessário haver uma sintonia entre essas possibilidades para que o sujeito possa, queira e saiba lidar com o conhecimento. É necessário que haja o equilíbrio para que a aprendizagem aconteça.
Qual o papel do professor? Como o professor vai fazer isso?
Pela lógica de Vygotsky, por três ações fundamentais: interação (encontro com as pessoas e com os objetos de conhecimento), a mediação (possibilidade de ter acesso a esse conhecimento) e a linguagem (instrumento de negociação de ideias, troca de informações, discussão de hipóteses etc.).
Como o aluno aprende?
O ser humano, no seu desejo de se adaptar no mundo, dentro de uma postura ativa em face do mundo, espontaneamente busca o conhecimento e a aprendizagem.
O aluno já passou por várias experiências desmotivadoras, por isso, é necessário resgatar a curiosidade natural do ser humano nele.
Segundo Piaget, a aprendizagem é uma construção pessoal a partir das experiências vividas sob a forma de um processo complexo e multifacetado: a imagem do conhecimento como uma tecitura, uma rede em que as ideias vãos e relacionando, muitos pontos vão se encontrando e ganhando novos significados, ou seja, uma construção única para cada sujeito cognoscente. Não há caminhos fixos e rígidos para o processo de conhecimento.
Como o sujeito lida com a informação? O que faz com que ele aprenda ou não?
Os sujeitos lidam com as informações de diferentes formas. Há situações em que a informação é assimilada pois há estrutura cognitiva, ou seja, a informação encaixa-se e é assimilada. Há situações em que a informação é dada mas o sujeito não tem condições de assimilar. Há também informação que são assimiladas de forma distorcida (erro construtivo).
O sujeito piagetiano é ativo e está sempre em busca de informações. Quanto melhores forem suas estruturas, mais eficaz e facilmente acontecerão as assimilações.
Tudo começa com uma situação problema, a partir da qual o indivíduo irá lançar mão de suas concepções e saberes que serão usados para levantar hipóteses para resolver o problemas, antecipando resultados e fazendo testes de verificação. Pode não haver um resultado positivo, o que causa o despontamento (surpresa), levando ao desequilíbrio cognitivo (toda aprendizagem tem uma dose de sofrimento, pois o sujeito é obrigado a abrir mão de suas concepções e hipóteses para conhecer outros pontos de vista). E assim ele evolui: a ideia é que quanto mais esse círculo se repetir, mais o sujeito vai pensar e repensar e criar outras hipóteses e, nesse processo, vai aprender sempre mais.
Pela lógica, se o conhecimento é ativo e se dá pela problematização e desestabilização das hipóteses, o ensino deveria funcionar em uma lógica de ação-reflexão em constante repetição. A aprendizagem é uma atividade espontânea mas que pode ser otimizada pela intervenção docente que cria condições para experimentação e elaboração de hipóteses.
O papel do professor:
propor problemas;
desestabilizar concepções prévias;
favorecer interação para a busca de soluções;
favorecer situações de observação, experimentação e pesquisa;
favorecer o debate, a reflexão, a criação, a consciência, o saber responsável, o regsitro e a sistematização do conhecimento;
propor novos problemas.

Em um ciclo sem fim no qual se dá a verdadeira construção do conhecimento.

A aprendizagem é uma engrenagem que contempla pelo menos três aspectos: o aprender, o tornar-se usuário desse conhecimento no contexto da vida e conquistar o status de cidadão crítico e socialmente ativo.





Vídeo-aula 13: A construção do fracasso escolar: os mecanismos do não aprender e os desafios do professor - Silvia

Rejeitando as explicações reducionistas sobre a não aprendizagem, a aula tem como objetivo discutir a produção do fracasso a partir das relações entre o aluno e o mundo, o mundo e a escola, a escola e o aluno. Nesse contexto complexo, é possível vislumbrar tanto a lógica do não aprender como o risco de aprender.





Por que os alunos não aprendem?
A maior parte dos argumentos caem em explicações reducionistas que ou culpam o aluno e sua família ou culpam o meio, a sociedade ou criticam acirradamente a escola. Tudo isso funciona como uma busca por um culpado que não contribui para que compreendamos o fracasso escola em sua complexidade.
Para a vídeo-aula, a proposta é pensar as dimensões do não-aprender, situando as interfaces do processo: aluno-mundo (qual é a razão que o aluno tem para aprender?), mundo-escola ( o que a escola ensina e o que ela deveria ensinar?) e escola-aluno (como a escola ensina? Se o professor ensina, por que o aluno não aprende?).
Na relação entre o aluno e o mundo: Qual é a razão para aprender? No nosso mundo, por que aprender?
Existe uma oposição entre os valores da nossa sociedade (sociedade do ter, do lucro, capitalista) e do outro lado o conhecimento: qual a razão para aprender se o que vale mesmo é o dinheiro, o ter? Todos esses valores perpassam a mentalidade dos alunos. Então, o primeiro desafio do professor no enfrentamento do fracasso escola é resgatar o valor do conhecimento como um bem necessário, enquanto um bem prazeroso, enquanto um bem que merece ser adquirido.
O segundo ponto da discussão é a relação entre mundo de hoje e escola: O que a escola ensina?
O que temos hoje é uma sociedade desenvolvida, tecnológica e em oposição a ela uma escola que parou no tempo que não dialoga com o mundo atual. Há uma tensão mundo grabnde entre um mundo que não valoriza a escola e uma escola que não tem a mesma linguagem desse mundo. A escola é diferente da vida e a aprendizagem é apresentada como algo tão fechado em si mesmo que não pressupõe o uso e a possibilidade de aplicação do conhecimento na sociedade. Trata-se de uma tendência ocidental e de uma escola que se desaparelhou ao longo do tempo e que está fora de sintonia com o mundo.
Muito do que é ensinado é sem sentido para o aluno: o aluno não reconhece aquele ensinamento como sendo algo do seu mundo. É necessário buscar a sintonia: o conteúdo ensinado tem que ser instrumento para compreensão do presente.
Na relação entre a escola e o aluno, devemos refletir: “como ensinamos” e “se o professor ensina, por que o aluno não aprende?”. Nesse caso é necessário colocar em discussão a metodologia usada na escola, muitas vezes trata-se de uma metodologia que não entra em sintonia com o processo cognitivo do aluno, com os interesses do aluno. Certas práticas mecânicas propõem-se a ensinar sem despertar o gosto pelo que é ensinado, o ensino torna-se enfadonho, sem sentido, cansativo.
Também podemos identificar uma tensão muito grande entre professor e aluno: o professor, depois de ensinar várias vezes, ele se frustra com o fato de perceber que o aluno não aprendeu e o aluno, quando se depara com um problema, tenta solucioná-lo com seus recursos próprios e não com os recursos que o professor tenta transmitir. Falta diálogo e negociação por um ensino significativo na escola.
Também existe uma desconsideração da diversidade cultural na escola: práticas discriminatórias que desconsideram a diversidade cultural na escola.
O aluno, ao ingressar na escola, é plural (diferentes raças, diferentes origens, diferentes saberes...), mas a escola exerce uma pressão para que esse aluno se equalize, para que todos alunos tenham o mesmo comportamento e desempenho, quase que anulando as suas origens, os seus saberes e a sua diversidade.
Em resumo, A LÓGICA DO NÃO APRENDER: a dimensão cultural (para que aprender? Como lidar com as dificuldades e consequências do aprender?); dimensão social (relações estabelecidas na escola: o desafio é lidar de uma forma mais dialógica); dimensão pedagógica (é necessário ajustar a metodologia de ensino ao processo cognitivo do aluno); dimensão política (valorização do saber, da escola e dos professores.... fica o desafio de lutarmos por uma escola que seja uma instituição de valor e reconhecida por toda sociedade e valorizada pelos alunos e por toda a comunidade escolar).
Além do perigo do não aprender, há também o risco de aprender.... mas não usar, não gostar, não ser crítico... mesmo no caso dos alunos que tem sucesso, não há também uma dimensão de fracasso?



Vídeo-aula 10: A relação entre professor e aluno - Gabriel Perissé


A experiência pedagógica se realiza como experiência bidirecional, criando uma atmosfera em que se cultivam o respeito mútuo, a curiosidade, o espírito de pesquisa, o diálogo, a busca das verdades e dos valores.





Texto base da vídeo-aula: QUINTÁS, Alfonso López. Descobrir a grandeza da vida: introdução à pedagogia do encontro (2005).

A sala de aula não é um lugar qualquer: a relação humana dentro de uma sala de aula pode ser produtiva ou catastrófica.

Nas experiências reversíveis, ou bidirecionais, duas realidades se unem. Continuam sendo diferentes, mas não estão uma fora da outra. Essa experiência é importante no relacionamento humano em geral: não há relação humana autêntica se não houver uma experiência bidirecional.



O encontro não se faz por mera aproximação física. Na definição de López Quintaz, o encontro se realiza quando entramos em jogo com uma realidade que tem algum tipo de iniciativa, promovendo-se um enriquecimento mútuo.



Um objeto (nível 1) pode ser usado, descartado, manipulado... é apenas um objeto. No nível 2, quando estabelece-se uma relação criativa, é possível realizar o encontro, em lugar do objeto encontramos um âmbito: toda aquela realidade que nem é apenas um objeto mas também não é necessariamente uma pessoa. Dessa realidade ambital nasce algum tipo de movimento, de iniciativa, de possibilidades.

O encontro é quando dois âmbitos se entrelaçam e estabelecem uma experiência reversível.
Vida criativa: quanto mais transformarmos objetos, com que “convivemos”, em âmbitos, quanto mais âmbito produzirmos em nossa existência, mais criativos seremos e, portanto, mais harmonizados com a realidade.
O professor tem que ser ambital (o ser humano é um ser ambital por excelência mas podemos nos desambitalizar... as pessoas podem ser usadas como objetos).
Uma sala vazia não passa de uma sala vazia. Para que ela se transforme em uma sala de aula, não basta o mobiliário. É preciso que as pessoas vejam ali um lugar de encontro intelectual, afetivo, de busca do conhecimento. Transformamos uma sala vazia em sala de aula quando, mediante o encontro, criamos um âmbito, um espaço em que as liberdades não entram em choque, mas se tornam ocasião para o diálogo e outras experiências criativas.
Quando entramos em sala de aula com a disposição de trabalhar como ser ambital, de estabelecer com os alunos uma relação de encontro, e o outro faz o mesmo, todos se e=sentem de algum modo convidados a conhecer mais, a crescer mais.
A nossa própria relação com o conhecimento também deve ser ambital (criativa).








Vídeo-aula 9: Modelos de ensino: das concepções docentes às práticas pedagógicas - Silvia


Partindo do pressuposto de que a prática pedagógica não é neutra, a aula tem como objetivo apresentar as relações entre as concepções de mundo, homem e educação, procurando evidenciar as tendências do ensino.



A preocupação da maior parte dos professores é com a prática pedagógica. Mas o perigo disso é o professor deixar de pensar a sua prática pedagógica em um âmbito maior que dá sentido e sustentação a ela: toda fundamentação do projeto educativo. O perigo está em concentrar-se no ativismo da prática pedagógica sem compreender as razões e sem critérios para tomar decisões.

 Eis o perigo da prática que esgota-se na prática e que pode causar: um desequilíbrio do projeto educativo, insegurança no professor, falta de diretrizes e critérios, dificuldades para planejar e avaliar o ensino além da trajetória incerta dos alunos e os resultados inexplicáveis.
A prática pedagógica nunca é neutra: sempre é comprometida com valores. A prática do professor sempre pressupõe uma compreensão de mundo, do ser humano e do processo educativo.
“A educação, qualquer que seja ela, é sempre uma teoria do conhecimento posta em prática.” (Paulo Freire)
Existem duas grandes formas de se compreender o mundo: O Fixismo (tudo é sempre igual) e o Transformismo (eterna transformação das coisas).
Correspondendo a essas formas de entender o mundo, há as concepções que procuram entender o ser humano: Essencialismo (o homem tem uma essência, é imutável, é dado, é posto) e o Relacionismo (o ser humano se constitui a partir das relações, então, podem existir disposições básicas, mas essas apenas se concretizam a partir das múltiplas experiências).
No campo da educação, também encontramos teorias correspondentes: Inatismo (o ser humano, ao nascer, já tem uma predisposição, já está pronto) e o Empirismo (o ser humano não é nada, é como um papel em branco que tem que receber tudo de fora para se constituir). Ambas defendem uma essência imutável. Mas há também o Relacionismo (o ser humano aprende a partir das experiências e das relações).

EMPIRISMO
REPRESENTANTES: Locke, Hume, Pavlov, Skinner, Mager.
SER HUMANO: é uma tábula rasa, um ser passivo, governado pelo ambiente e modulado por estímulos externos.
EDUCAÇÃO: vem de fora para dentro, é conversão pelo arranjo de condições para o conhecimento; a escola é agência sistematizadora de uma cultura pré-estabelecida. Não há processo de criação.
CONHECIMENTO: “pacote pronto” definido a priori.
PROFESSOR: representante do saber e transmissor do conhecimento. O que justifica uma relação autoritária.
PRÁTICA PEDAGÓGICA: ensino fragmentado sob a forma de dar e tornar o conteúdo independente da realidade do aluno; pretensão de controle do processo e homogeneidade no desempenho. O ensino é dado em doses homeopáticas e acredita-se que, por essa única via de intervenção, o aluno deva ter um desempenho igual ao de todos os seus colegas (escola tradicional).

INATISMO
REPRESENTANTES: Sócrates, Rousseau, Rogers, Neil.
HOMEM: a semente que traz em si o potencial de ser. Como se o homem já fosse pré-programado, pré-definido.
EDUCAÇÃO: revelação paralela ao desenvolvimento, respeitando a natureza do indivíduo. A medida que o sujeito vai se desenvolvendo ele vai se revelando de acordo com sua natureza.
CONHECIMENTO: vinculado ao dom.
PROFESSOR: facilitador da aprendizagem.
PRÁTICA PEDAGÓGICA: Ação não diretiva, centrada na autodireção do aluno e no contato feito entre professor e aluno (escola de escola de Summerhill).

CONSTRUTIVISMO
REPRESENTANTES: Piaget, Wallon, Vygotsky, Emília Ferreiro.
HOMEM: ser inteligente, ativo no processo de aprendizagem. O homem é capaz de construir hipóteses, criar alternativas e buscar soluções. A posição é ativa, busca desde sempre sua adaptação no mundo.
EDUCAÇÃO: conjunto de intervenções significativas que possam incidir sobre o processo de desenvolvimento e aprendizagem pelo enfrentamento de situações problema e pela interação com o sujeito cognoscente.
CONECIMENTO: construção progressiva processada pela elaboração mental a partir de experiências sociais com o objeto do conhecimento mediadas pela interação entre as pessoas.
PROFESSOR: deve buscar a sintonia entre os processos de ensino e aprendizagem (eis o grande desafio: buscar a sintonia entre o que ele propõe e o processo cognitivo do aluno), organizar o ensino em função do sujeito aprendiz; atuar como problematizador e desestabilizador em situações conflitivas; valer-se dos erros como oportunidades pedagógicas.
PRÁTICA PEDAGÓGICA: ampliação das possibilidades de mediação e de conhecimento, respeitando o tempo de aprendizagem, a diversidade de conhecimentos e a heterogeneidade cultural; aproximação entre escola e vida por meio de projetos, resolução de problemas e práticas de pesquisa. Criar condições para que o aluno possa pensar, pesquisar e possa constituir-se como senhor da própria aprendizagem.

É importante ter uma clareza das várias possibilidades de ensino, não só para organizar as práticas de ensino mas também para repensar a relação professor-aluno.

Vídeo-aula 6: O professor e a diversidade cultural na sala de aula - Rosa Iavelberg

Ensinar sobre a diversidade das culturas promove a construção da identidade artística e estética dos estudantes com base no conhecimento e no valor da própria cultura e das demais respeitando-as.



A diversidade cultural deve ser levada de forma ordenada ao currículo escolar.

Ensinar a diversidade cultural é respeitar o direito dos povos de manifestar, documentar e preservar sua cultura, considerando que:

  • Ensinar sobre a diversidade das culturas pode promover o respeito entre os povos.
  • As culturas são diversas e estão em mudança permanente.

Os meios de expressão e comunicação presentes nas diversas culturas refletem os diferentes contextos históricos e sociais.

A aprendizagem sobre a diversidade cultural se dá se o professor promove:a criação e a fruição artísticas para o aluno aprender sobre a diversidade expressa na arte de diferentes tempos e lugares.

Segundo F. Graeme Chalmers (Diversidade cultural e ducatión artistica, 2003, Barcelona, Paidós): o estudo de autores sobre educação multicultural aponta para arte e o ensino de diferentes conteúdos da cultura não dominante deve ser abordado, com ênfase

nas relações humanas como cooperação e respeito mútuo;

nas relações indivíduo-grupo em diferentes culturas e

na promoção do pluralismo e na diversidade cultural e na equidade social.

Cabe ao professor considerar as influências culturais na arte de cada povo e sua especificidade política, social, religiosa, histórica, econômica, ambiental.

Em educação os recortes de conteúdos e temas no planejamento da História da Arte tem papel fundamental na educação orientada ao ensino da diversidade cultural na escola.

Estudar o sistema simbólico de cada lugar expresso nas lendas, mitos, festas, contos de tradição, música, arquitetura, costumes.

Valorizar a integração da produção de cultura local, estabelecendo relações com a história da arte mais ampla.

O estudo das culturas locais recuperam o gosto por frequentar a escola, porque dizem respeito direto à identidade dos estudantes, sua história, memória e universo de experiência.

Sua inserção nos desenhos curriculares deve ser estruturada como os demais conteúdos da arte.

É por intermédio do conhecimento que se aproxima de outras culturas com respeito e dando valor àquilo que é diferente e estabelecendo relações com o que é produzido na própria cultura.

Vídeo-aula 5: O papel do professor na mediação cultural - Rosa Iavelberg

A produção sócio-histórica da arte configura-se como patrimônio cultural de direito a ser aprendido nas escolas, cuja assimilação e valorização pelos estudantes requer a mediação dos professores.




O papel do professor na mediação cultural é muito importante pois é como ele pode aproximar os alunos dos agentes culturais, daqueles que trabalham com cultura e com os artistas.

Objetivos:

  • Desmistificar a arte como objeto acessível da poucos;
  • Desconstruir a arte como conhecimento distante do cotidiano;
  • Promover a consciência sobre o valor da arte na sociedade e na vida dos indivíduos.

Outro aspecto muito significativo é o trabalho com os conteúdos relativos à arte brasileira: Pesquisar sobre a vida e a obra de artistas da nossa cultura. O aluno aprende com as próprias produções, com a dos pares e a partir do conhecimento sobre a produção sócio-histórica da arte. A atividade praticada em sala de aula terá um sentido muito maior na vida do estudante.

A Arte promove a auto-estima do aprendiz porque possibilita a expressão de cada um, construída com base em saber fazer, saber interpretar e valorizar arte de modo autoral em um contexto de aprendizagem compartilhada. Os alunos trabalham em grupo, como uma microcomunidade, exercendo assim, uma participação social.

As obras de arte trazem temáticas transversais em seus conteúdos (meio-ambiente, saúde, trabalho e consumo, ética, pluralidade cultural, orientação sexual) e outros temas que se destaquem na comunidade local, na região que a escola está inserida. Os temas transversais são ensinados com as obras associados a conteúdos plástico-formais.

O professor precisa ter claro que formação deseja proporcionar e levar em consideração a visão do aluno: a arte inclui a pessoa do aprendiz, suas características culturais e, por ter a marca da subjetividade, tem potencial de transformação da própria condição e lugar de origem.

A formação cultural mediada pelo professor promove a integração social, fala de perto ao estudante anima-o a frequentar a escola porque pode manifestar-se e compartilhar suas experiências com os pares e apresentá-las à comunidade escolar ou compartilhá-las em redes sociais.

Construção de portfólios e blogs de arte: documentação da produção dos alunos como documentação de uma produção histórica pessoal.

Cada aluno tem que ser considerado na sua singularidade.

Visão de aprendizagem: a arte pressupõe práticas de educação diferenciada, reconhece a cultura como conteúdo de poder transformador e formador da identidade do estudante.

Cabe ao professor com seus pares

  • selecionar arte de qualidade para o aluno conhecer e reconhecer-se nessas referências e na força dessas criações;
  • selecionar conteúdos para o aluno perceber a importância da autoria, do protagonismo nas formas, ideias, ações e escolhas em arte;
  • trabalhar a arte com sentido na vida das pessoas e na sociedade.

O professor precisa investir na sua própria formação -o que o professor conhece e sabe fazer para ensinar arte:

Conhecimento sobre o desenvolvimento artístico no fazer e desenvolvimento da compreensão estética;

Conhecimento sobre arte e educação em arte;

Outros conhecimentos precisam advir da prática do professor: participação em eventos artísticos e experimentação em práticas artísticas.



As interações efetivas das crianças com a arte adulta como fonte para suas criações permanecem excluídas das ideias dos autores de arte/ educação até o final da segunda metade do século XX, mais precisamente até a década de 80.

O diálogo entre a produção da criança e a arte adulta: o moderno segue o contemporâneo.

Escola Nova: destaque nos aspectos endógenos da aprendizagem.

Escola Tradicional: sublinha os aspectos exógenos da aprendizagem.

Escola Contemporânea: ressignificação na produção infantil, associação de aspectos endógenos e exógenos.


Vídeo-aula 2: A ação educativa ao longo da trajetória escolar - Silvia Colello


Nesta aula trataremos de temas como:
  • - Princípios e significados da ação educativa;
  • - A criança na Educação Infantil e as implicações educativas;
  • - A criança no Ensino Fundamental e as implicações educativas;
  • - O jovem no Ensino Fundamental Médio e as implicações educativas;



O que acontece nas escolas para além do ensino? Da mera transmissão de conhecimentos?
Muitas escolas têm uma preocupação para além do ensino e isso aparece nos diversos projetos: orientação de estudos, prevenção de drogas, recuperação, adaptação, orientação sexual etc.
Será que esses projetos têm que ser aleatórios? Qual o sentido educativo desse tipo de intervenção?
A ação educativa tem que ser feita em estreita sintonia com a trajetória escolar. O que a escola representa para o aluno? Qual o significado? Como o aluno percebe a escola?
Qual o papel do professor nas sucessivas etapas da escolaridade?
Na educação infantil, a escola é marcada como uma grande novidade, um novo mundo, mundo de grandes descobertas, marcado pelas brincadeiras e pela alegria.





Qual o papel do professor na educação infantil?
O que estão em jogo para o aluno é a adaptação, a ampliação das referências de mundo, ampliação dos saberes, das linguagens e das relações.
Função do professor: institucionalização: investimento na esfera afetiva, funcional, cognitiva, linguística e de ajustamento pessoal. O papel educativo do professor, nessa fase, é mostrar para o aluno o que é a escola, como a escola funciona.
O que representa a escola para a criança que entra no ensino fundamental? A escola aparece como o espaço do aprender. A criança percebe que aprender tem seu preço, que aprender não é fácil e a escola cobra.
O que está em jogo é o autoconceito: confronto da imagem que a criança tem dela e a resposta que os outros dão sobre ela, motivação para aprender, adaptação ao ritmo da escola, novos critérios de convivência social (não é só para brincar).
Papel do professor: institucionalização: apoio funcional, fortalecimento do vínculo com o saber, estimulação dos valores que regem a convivência social.






Nos anos finais do primeiro ciclo do ensino fundamental, a criança vê a escola como um espaço plural, a visão da criança torna-se mais crítica. Há sintonia com alguns espaços e falta sintonia com outros, a percepção torna-se complexa.
O que está em jogo nessa fase é o auto conceito acadêmico, aprender a aprender, organização, autonomia, disponibilidade para lidar com dificuldades.
Qual o papel do professor? Escolarização: fortalecimento da relação aluno-escola pelas dimensões afetiva, metodológica, funcional, cognitiva e social.





No segundo ciclo do ensino fundamental, a escola começa a competir com outros espaços, a criança começa a perceber que a escola é um entre outros espaços e, pro vezes, um espaço incômodo. Tensão entre a vida escolar e a diversão.
No ensino médio, entre o reconhecimento da escola e a disponibilidade para investir na aprendizagem, o mundo extraescolar se aprofunda.
O que está em jogo: lidar com crises, conflitos, projetos de vida, cobranças de desempenho, opção profissional, autonomia, redefinição da identidade e de valores.
Qual o papel do professor? Escolarização e preparação para a vida social: apoio, orientação, sensibilização, conscientização sobre aspectos da vida e responsabilidade social.

É preciso que o professor compreenda a realidade de seu aluno.
A ação educativa, ao longo da trajetória escolar, vai assumindo diferentes ênfases. Num primeiro momento, mais tipicamente da educação infantil e dos primeiros anos do ensino fundamental, há a institucionalização que é o modo como o indivíduo é acolhido pela instituição escolar e todo esforço do professor em mostrar o que é a escola e como funciona. Em um segundo momento, há a ênfase na escolarização que é a formação do estudante. E, finalmente, a preparação para a vida social, em que todos esforços estarão voltados para lidar com os apelos do mundo sobre o aluno, pensando em sua profissionalização, em sua responsabilidade social e com a natureza etc.

É preciso ter sensibilidade para perceber qual é o momento do aluno para propor projetos e que não podem ser propostos aleatoriamente, mas que devem seguir princípios educativos.
Se pensarmos na institucionalização, na escolarização e na preparação para a vida social, o papel do educador é acolher o aluno, trazer o aluno para dentro da escola, fazer o aluno viver bem a vida escolar e jogar o aluno de volta para a sociedade de uma forma responsável e compromissada, preparado para a vida social.







Vídeo-aula 1: Papel do professor: instruir ou educar? - Silvia Colello



Discutir a função docente pela problematização enfrentamento do dilema: instruir ou educar? A educação se submete ao ensino ou o ensino se submete à educação? O equilíbrio entre as dimensões pedagógica e educativa da prática escolar.


Qual é verdadeiramente a função docente? Qual o papel do professor?

Os alunos vão para a escola para aprender e o professor tem que ensinar.
Mas, sobre os alunos pairam cobranças muito maiores do que a mera aprendizagem: a criatividade, a profissionalização, a inserção social, a competência, a ética, a consciência, a responsabilidade, a autonomia... e uma série de perigos como: DST, intolerância, corrupção, violência, dorgas, gravidez precoce...



Então, considerando os apelos e os perigos do mundo, o papel do professor é mais complicado do que simplesmente passar conhecimentos.
A profissão docente pode ser vista a partir de duas dimensões:
  • instruir, que envolve toda a relação do ensinar e aprender;
  • educar, que envolve o processo de formação humana.
Como conciliar essas duas dimensões?
Quando a educação submete-se ao ensino (conteudista), pretende-se que a somatória dos saberes resulte em um ser educado.
Quando o ensino submete-se a educação é necessário ter em primeiro plano um projeto educativo em função do qual todos os saberes se justificam: educar para o mundo, para a responsabilidade, para a cultura.
Então, o papel do professor é enfrentar a educação a partir de dois polos:
  • dimensão pedagógica: instruir, ensinar;
  • dimensão educacional: projeto de formação humana.



Tudo isso está a serviço do desenvolvimento, da aprendizagem, da personalização (identidade, socialização (condições para que o sujeito insira-se na sociedade de um modo significativo), humanização (perceber-se como herdeiro de toda construção cultural da humanidade) e libertação (possibilidade de enfrentar a realidade de modo criativo, encontrando outras alternativas).

Para garantir o equilíbrio entre as dimensões:
- a escola tem que estar em sintonia com a sociedade: lidando com a macro esfera do projeto político pedagógico da escola e com as micro esferas (o dia a dia), ou seja, é necessário que exista concretamente um projeto e que ele seja trabalhado no cotidiano da escola.